sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sobre espectadores e bovinos: notas derradeiras de um ano novelístico

Enquanto escrevo, revejo pela terceira vez (em bem pouco tempo) a cena de “Roque Santeiro” (1985) em que Porcina confessa a Sinhozinho Malta que ela se deitou com Roque enquanto o amante viajava.
De orelhada, uma sinopse dessas não soa das mais promissoras. Quem viu a cena, no entanto, sabe que ela é um dos pontos altos desta telenovela – quiçá, um dos pontos altos da história da telenovela.
O fazendeiro chega bêbado de ciúmes na casa da mulher que ama e que foi obrigado a deixar. Chega senhor de si, cabra macho cobrando explicações de sua fêmea, mas desmorona-se no curso da conversa, na medida em que a mulher narra-lhe em detalhes as várias vezes em que dividiu a cama com o outro. A dor vai pouco a pouco promovendo a animalização do homem, até que ele, tal qual bicho ferido, lança-se sobre a mulher que, segundo a lei da selva que o rege: “Cometeu um erro e por isso tem que morrer.”.
Porcina, sua contraparte, bate-se com ele em pé de igualdade. Altiva a princípio, já que dona de seu destino e disputada pelos dois melhores homens da cidade, vai pouco a pouco abaixando o tom enquanto confessa para seu homem e para si sua traição.
Se a longa cena já é correta no que toca à técnica – passando da fluidez na tomada dos protagonistas irados circulando pelos cômodos da casa até a concentração, nos primeiros planos que tomam o diálogo torturado dos amantes –, ela atinge as raias da genialidade no tocante à atuação. Regina e Lima transformam esses 10 minutos de cena na síntese da novela: toda a extravagância, liberdade e sinceridade de Porcina concentram-se nela; toda a força, violência e paixão de Sinhozinho... E uma humanidade gigantesca emana dos dois enquanto ambos se espojam na cama que durante tanto tempo dividiram no estapafúrdio quarto rosado da mulher.

“Roque Santeiro” me convidou novamente a ver telenovelas, depois de anos apartada desse nosso nacionalíssimo produto um tanto por desinteresse, outro tanto por preconceito – confesso –, sentimentos que foram por água abaixo quando fui defrontada com a mistura de bom-humor e delicadeza dos dois tipos acima e de Roque, Mocinha, Lulu, Beato Salu... De volta ao gênero que me divertia quando eu era criança, conheci a extraordinária “Vale Tudo”, a bela “Irmãos Coragem”. Divirto-me agora com “Rainha da Sucata”, homenagem alucinada à Sétima Arte. “Tieta” já está na fila. Aí, empolgada, ensaio um encontro com as novas produções novelísticas – e dou com os burros n’água.
Ao encarar a nova novela das oito ou a nova novela das onze, me vem fácil à ponta da língua a frase feita “Não se fazem mais novelas como antigamente.”. Como ela vem fácil demais, resisto em soltá-la. O temor de estar confundindo nostalgia com qualidade ou de ser chamada de “acadêmica metida” me seguram até que eu encontro Lima Duarte – o próprio – dando voz ao que sinto.

A entrevista que ele deu recentemente à revista da Livraria Cultura é catártica. O ator experiente aproveita-se do discernimento e da segurança que seus anos de praia lhe garantiram para botar o dedo agudamente na ferida. Reclama de sua personagem na novela “Araguaia”, que começou matizada e terminou esquemática; questiona-se sobre se o espectador de agora se acostumará ao ritmo mais lento de “Roque Santeiro” e, perguntado sobre as telenovelas atuais, responde:

Tudo é um espetáculo frenético e torna impossível o raciocinar, fica esquemático. Não são mais personagens que sentem a vida. O espectador acompanha tudo olhando “bovinamente” as figuras que se movem. Antigamente, os personagens penetravam nos corações do espectador que se identificavam com eles. Agora, ficou imediato, superficial e o espectador não quer mais mergulhar de cabeça na imaginação, no sonho e na reflexão que uma boa dramaturgia proporciona.

A expressão “espectador bovino” sintetiza com maestria esse público da contemporânea sociedade de massa, que, acostumado à tecnologia dispersiva dos Tablets, IPhones e companhia, é um ás da informática mas não consegue se concentrar numa cena de mais de 2 minutos.
Muito já se falou nos últimos tempos sobre a necessidade de uma produção televisiva que seja coetânea à “Era da velocidade” em que vivemos. Porém, o resultado artístico disso, no último ano, não subiu muito do nível do pífio. Personagens planas, em especial aquelas que expõem o pior do gênero humano (o preconceituoso, a perua inútil, o sadista, o folgado), gritaria, violência exacerbada.
A propalada “agilidade” das telenovelas atuais não passa de um expediente para aferir lucros e algemar o público mediocrizado em frente às telas. Pesquisas recentes dão números ao argumento de Lima Duarte: comparativamente, os filmes atuais têm muitos mais cortes que os antigos (diferença gritante, de 700 para 4000, por exemplo), já que o número de planos
é diretamente proporcional ao preço a ser pago pelo produto. A edição desse material picado dá à cena um vistoso dinamismo, mas que dificilmente converge para sua qualidade artística. Para se sustentar, o cinema de grande público emula a telenovela, portanto, o que vale para ele, vale para ela. Temos, pois, a linguagem cinematográfica reduzida ao mais comezinho aspecto monetário - eis o estado da nossa cultura atual.
Um quadro assim negro obriga-nos a um movimento intelectual de otimismo. Um primeiro passo nessa direção deveria ser a tomada de consciência de que, ao invés da suposta “modernidade” de nossa atual televisão, estamos mesmo é caminhando para um “Planeta dos Macacos” cultural. Sonho com o momento em que os artífices da nossa indústria do entretenimento adiram maciçamente à inspirada postura do roteirista frustrado de “Manhattan” (1979), que num belo dia surta durante o trabalho, jogando na cara dos chefões da emissora de TV que o ofício “anti-séptico” desempenhado por ele fora o responsável pelo rebaixamento sistemático dos padrões do público ao longo dos anos. A tarefa seguinte seria deseducar o público da banalidade. Tarefa dura.


*

Veja aqui a cena de "Roque Santeiro" comentada acima:



Entrevista de Lima Duarte na Revista da Cultura n. 47, jun. 2011


22 comentários:

Sibele maria disse...

Ei Dani tudo bem?ainda não vi essa cena da Porcina despejando a verdade no Chico Malta...mas gravei e hoje mesmo assisto.Parabéns seu texto é incrível e um dia vou escrever tão bem assim.beijo volto quando puder

Danielle Carvalho disse...

Oi, Sibele!

Obrigada pela visita!
Sério que eu mandei um spoiler? Foi mal... É que, como não tenho TV por assinatura, não sei em que capítulo a novela está. Mas tudo bem, porque você também vai querer rever a cena!

Bjs
Dani

disse...

Dani,
Que texto interessante sobre telenovelas, logo no finalzinho do ano em que se celebram os 60 anos deste produto de entretenimento tipicamente brasileiro. Também acho uma pena elas estarem perdendo qualidade e se tornando cada vez menos elaboradas.
Beijos e feliz Natal!

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Boa Tarde,
Interessante seu texto sobre as novelas, eu penso como vc, as novelas de antes eram completamente superiores,o mais engraçado é que as emissoras sabem do que o público gosta e o que gera audiência mas mesmo assim eles não fazem. A atual novela das 9 dia desses vi uns 10 minutos, não tem como ver mais que isso, esta "estampado" que as intenções das atuais novelas são lançar modas, bordões,tendências e o pior explorar de maneira comica pessoas homossexuais. Atualmente assisto Mulheres De Areia no VPVN e fico espantado com tamanha qualidade, tanto das interpretações quanto da trama e etc, mas...fazer o que né... estamos retrocedendo em todos os aspectos, outro exemplo é o cinema, a música etc...

abração

Danielle Carvalho disse...

Lê, Jefferson, obrigada pelo retorno e feedback!

Lê, a contar pela produção de hoje, não temos motivo pra comemorar muito, né?

Jefferson, acho que a emissora vai ao encontro do interesse do público - público que, como bem disse a personagem do Woody Allen de "Manhattan", foi ano após ano sendo acostumado com produções que lhe exigissem menos esforço intelectual. A diferença entre "Fina Estampa" e "Roque..." ou "Vale Tudo" - todas escritas por Aguinaldo Silva - é gritante. A reflexão adulta sobre temas sérios foi substituída por aulinha de bons modos.
Eu sugeriria a todos que têm amor próprio que usem o tempo livre depois da janta pra assistirem a um filme (antigo, pois concordo com o que você disse, Jefferson) ou a uma das boas telenovelas dos anos 80-90. A internet está cheia de opções. Vale a pena aproveitarmos esse que é um dos pontos positivos dela...

Bjos e um ótimo Natal e Ano Novo pra vocês. :D
Dani

Edison Eduardo d:-) disse...

Oi, Dani!!!! Tudo bem?

Olha, realmente, estamos vivendo num outro tempo... Li hj, em algum lugar, que a Globo teria comprado todos os direitos das obras do Dias Gomes para remakes (me dá arrepio só de pensar...)! Vai ser difícil aparecer alguém que escreva, no meio de uma novela, uma cena coerente, com a carga dramatúrgica e contextual que essa da Porcina e do Sinhozinho...

Aliás, além do Dias, faz falta na TV, uma Janete Clair, um Daniel Filho, uam Dina Sfat... O próprio Boni (temeroso) que mandava refazer tudo quando não gostava... No livro dele, em alguns momentos, essa sensação que vc expõe na resenha, está nítida!!!

A mudança que houve no mundo e nas novelas, mesmo que se renovem, não dará mais para ser como foi com o Roque, com Selva de Pedra, Vale Tudo, Dancin Days, os 1ºs capítulos de Renascer... Remake de Gabriela? Sinceramente, depois do ASTRO, fico até com vergonha...

Ah, falar em fila de novelas, não pode faltar uma que é bem engraçada e ao mesmo tempo levanta questões sérias que é Pedra sobre Pedra do Aguinaldo Silva...

É isso... No mais, adoro as suas resenhas e adorei o cartão de Natal que vc enviou... Muito Obrigado, chegou hj e nem vai dar mais tempo de eu retribuir!!! Snif!

UM FABULOSO NATAL PARA TODOS DA FAMÍLIA CARVALHO, UM BJO GRANDÃO E QUE O ANO DE 2012 SEJA SÓ DE FELICIDADE!!!!!

Danielle Carvalho disse...

Oi, Edison!

Meu amigo, adoro seus comentários elaborados :D

Olha, os arrepios pelos futuros remakes da obra de Dias Gomes são mútuos. Eu não sabia ainda disso mas não me surpreendo nem um pouco. Essa nossa Era copy/paste só podia mesmo acabar gerando copiadores de tramas. E copiadores que eliminem os textos de suas ambiguidades, seus questionamentos, sua densidade, sua poesia, deixando-os tão planos quanto o público que eles ajudaram a forjar. Sofro muito por isso.

Você sabe que penso como você no que toca a "O Astro" e "Gabriela", né? Muito feliz por saber que Regina escapuliu desse último, aí não vou me sentir culpada por não assisti-la...

Também acho impossível atingirem essa excelência dramatúrgica novamente. Hoje há, claro, excelência técnica, mas ela empacota um produto tão frágil que me vergonha, também. É legal saber que essa minha opinião ecoa a do Boni. Estou curiosa para ler o livro dele, porque acho que vou aprender um bocado. Mas o homem deixou o alto-escalão da Globo... Precisávamos essa consciência em alguém de lá de dentro, que tivesse papel relevante na contratação de artistas sólidos.

*

Fico contente que meu cartão tenha chegado em tempo! Obrigada pelos votos - pode deixar que eu os transmitirei à toda a família Carvalho!

Bjs e inté mais
Dani

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Dani, corra e tente resgatar o Matar ou Morrer que você deixou abandonado na sessão da americanas, ele merece TODA sua atenção, compre já... kkkk Beijão

Danielle Carvalho disse...

:D Podeixar, Jefferson. Havia vários irmãos dele lá, então com certeza o encontro quando for ao shopping de novo!

Bjs
Dani

J. BRUNO disse...

Excelente reflexão Danielle, eu nunca gostei muito de novelas e peguei pouco desta época que você comentou de forma tão entusiasmada... Acho que talvez pelo tempo de duração de uma delas eu penso duas vezes antes de me aventurar a fazer downloads e reassistir. Lembro de alguns capítulos de "Roque Santeiro" que assisti quando a novela foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, lembro vagamente de outras que foram reprisadas e concordo que a superficialização das tramas e a velocidade impressa pela edição tirou de tais produções todo air contemplativo e a poesia... hoje não existe mais identificação, até porque todos os personagens são iguais, seus dramas e relacionamentos são iguais e nós, como público, nos acostumamos tanto a isso que não conseguimos mais digerir o diferente, a densidade, a poesia e a dualidade nos incomoda, almejamos apenas o mais do mesmo e a linearidade que nos garante que tanto o começo quanto o final da próxima novela vai ser igual ao da última...

http://www.sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/12/o-silencio-de-melinda.html

Danielle Carvalho disse...

Oi, Bruno.

Obrigada pelo elogio!
Vi os DVDs de "Roque..." lançados no ano passado - a compilação é bastante boa, porque enxuga a novela aos seus momentos fundamentais (recomendo-a para ti que não gosta da ideia de ver uma trama longa).
Gostei de conhecer sua impressão e da forma como ela dialoga com a minha. Você tem razão quanto ao público sempre esperar pelo mesmo, contado de modo igual. Se ao menos fosse um mesmo um pouco mais sofisticado, que cobrasse algum esforço reflexivo por parte do público, né?

Obrigada pela visita e Feliz Natal!
Dani

Anônimo disse...

Oi Dani!

Feliz natal! Excelente a sua análise da cena de Roque Santeiro. Acho que aí já temos um pós-doutorado. Eu por aqui, bem, tenho que confessar que continuo digerindo Late Bloomers. Que tal um post sobre as convenções da comédia romântica e seu viés nitidamente conciliatório?

Mil beijos, Ana Cecília.

Danielle Carvalho disse...

Oi, Ana! Tudo bom?

Feliz Natal pra você também!
Obrigada pelo elogio ao texto. Eu tremendo na base com o doutorado e você já pensando num pós-doc?

Olha, aceito o desafio proposto para um dos próximos posts. Acho que dá pra pensarmos em "Late Bloomers" e cia como desenvolvimentos cinematográficos do melodrama teatral clássico, cujo clímax era a reestruturação do núcleo familiar abalado com a chegada do vilão. Essa comédia romântica da Isabella Rossellini até que é boa, quando comparada com o grosso de filmes do tipo.

Bjinhos e inté logo!
Dani

Anônimo disse...

Oi Dani,

Modesta contribuição: sua observação sobre o número de takes e a velocidade diluidora me fez lembrar que este ano, no festival Indie, conheci (precariamente, por culpa minha) o cineasta húngaro Béla Tarr. Vendo "O cavalo de Turim" (aliás recentíssimo) a gente percebe que é um filme que força uma contra-mão, com planos longuíssimos. Não se trata de contar uma história, mas convidar o público a vivenciar gestos, sensações, perceber o corpo dos atores se movendo. Eu teria que ver o filme mais umas duas vezes, para começar a entrar nele. Comigo é assim.

Beijinhos natalinos,
Ana Cecília

Edison Eduardo d:-) disse...

Caramba!!! Procurei a cena no youtube para rever e não achei!!! Vlw, Danielle!!!! Bjão! Edison Eduardo d:-)

Danielle Carvalho disse...

Ana, nunca vi nada desse cineasta, mas conheço essa sensação que você descreve. Estamos acostumados demais a uma espécie de decupagem; é inescapável essa reação quando somos apresentados a outras. E a gente costuma ver coisas de fora do circuito. O pessoal que está acostumado à montagem hollywoodiana/televisiva se sente na frente de um ET quando é botado diante de um filme de planos mais longos, com silêncios ou que foge da narrativa linear.

Edison, não podia faltar o trecho pra quem ler a análise tirar a prova dos nove! Mas o coloquei no 4shared, porque o "Roque..." não anda durando muito no You Tube.

Bjs natalinos para ambos :D
Dani

Renata Fernanda disse...

Oi, Dani!
Adorei rever esta cena em que a Porcina fala tudo sobre a verdade da Traição.
Excelente, vc escreve e analisa impecavelmente!
Vlw pelo vídeo! Assim é possível rever a cena várias vezes.

Bjs
Re

Danielle Carvalho disse...

Oi, Renata.

Obrigada! O grande mérito é da cena, que é excelente; entusiasma a escrita e a revisitação.

Bjs
Dani

Anônimo disse...

David Libeskind Sirota disse:
Eu li essa matéria e concordo que hoje em dia o expectador exige mais agilidade das tramas e não tem muito tempo para perder só que uma trama tem seu próprio ritmo e não pode ficar a mercê do mesmo !!

Danielle Carvalho disse...

Marcelo, desde o início do século XX, com a invenção do cinema e desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte, se dizia que o mundo ficara mais rápido e as pessoas, com menos tempo. Mas se a gente passasse a levar isso ao pé da letra, então precisaríamos jogar no lixo tijolos como "Decameron" e "A divina comédia" e dar ao povo muita novela ruim e rápida, só que toda a agilidade vai fazê-lo, paradoxalmente, perder mais tempo do que se se concentrasse em algo mais lento e substancial.

Faroeste disse...

Olha; esta novela de Gomes, do grande escritor Dias Gomes, é algo que tem ares de comédia. Entretanto é um drama sério, forte, tenso e com tragédias beirando em cada capítulo. Lima Duarte estã tão bom que chega a meter medo certos olhares que dirige a alguns outros personagens da novela. Olhar de ameaça de morte, de sentenciação, olhar de muitas falas.
Não sei, não quero afirmar; mas Roque Santeiro, se não é a melhor coisa em Novelas que o Brasil já fez, pelo menos afirmo que nunca vi Lima Duarte tão perfeito, tão ator, tão no lugar certo.
jurandir_lima@bol.com.br

Danielle Carvalho disse...

Jurandir, assino embaixo de tudo o que você disse. Desde minha opinião, essa é a grande novela da TV brasileira, porque ela sabe conjugar de modo inegualável o drama e a comédia, fazendo bom uso do elenco, da música, do cenário; tudo isso numa coesão incrível, sofisticação que me surpreende muito ter sido aceita pelo público.

Você tem toda razão sobre a comédia esconder um drama sério. "Roque..." bota em debate os limites da moral e da religião, de um modo sempre provocador - sempre me pego surpresa por estar rindo de Sinhozinho enquanto ele planeja um assassinato, ou da Viúva enquanto ela administra vários casos amorosos... Enfim, é uma novela única, inimitável e insuperável. Fico muito feliz por ela existir.