segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Melodrama no cinema: o mocinho vampiro, o Cinema Paradiso e outras cositas mais

Este post está saindo 15 dias atrasado. Uma overdose inevitável de trabalho impediu-me de escrevê-lo antes, o que é uma pena, porque, do contrário, teria conseguido registrar com mais fidedignidade a reação do público feminino presente na sessão a que assisti de "Lua Nova" (New Moon, 2009) - versão cinematográfica do romance-febre de Stephenie Meyer. Gritinhos, mais gritinhos... Suspiros, mais suspiros... O belo vampiro cavalheiro, meio Mr. Darcy, meio Superman, está levando as mocinhas à loucura. Lembram-se que, ao final de meu último post, comentei sobre as estudantes adolescentes que sonhavam com um namorado vampiro? Não pareceu ser diferente com as centenas de garotas que assistiram à mesma sessão de cinema que eu. Ao sair do cinema, lembrei-me da reação que eu e minhas amigas tivemos 12 anos atrás, nas sessões do "Titanic" às quais assistimos (foram várias...), quando os olhos de Leonardo Di Caprio apareciam na tela pela primeira vez. E aí, deixei de lado todo o meu ceticismo para tentar entender o que um bom melodrama faz com o público - especialmente o feminino.
Deixarei de lado detalhes sobre a introdução desse gênero no cinema e o poder da imagem cinematográfica, coisa que comentei no post passado, para me concentrar nas características do melodrama teatral - que passaram à literatura folhetinesca, ao cinema, à telenovela....
Thomasseau, estudioso do gênero, aponta que seu surgimento ocorreu na França do começo do século XIX, momento em que o público pós revolução francesa ansiava por enredos em que os tiranos eram punidos no final da história. O público alvo era os indivíduos iletrados. Por esse motivo, os enredos eram movimentados; os caracteres eram totalmente bons ou ruins e os bons triunfavam sobre os maus no final. O mundo do melodrama clássico era linear, claro, e os personagens sempre serviam a um moralismo fácil.

Todos que tiverem lido essa definição certamente têm na ponta da língua o nome de um filme que se encaixa no gênero. É muito difícil não ter, uma vez que esse foi - e é - o gênero preferido por cineastas do mundo todo. O que seriam aquelas três movimentadas horas do "Titanic" - com direito à perseguição do mocinho pobre e abnegado (que morre no final para salvar a sua Rose) por um vilão milionário e tremendamente cruel - senão a consumação do gênero? A partir daí, fica fácil o paralelo entre o mocinho e o bandido de Titanic e os vampiros bonzinhos e malvados da saga de Meyer. Um detalhe irresistivelmente risível do último exemplo é a explicação que Edward (o Superman Mr. Darcy) dá a Bella sobre os hábitos dos seres da espécie dele: não nos consideramos carnívoros, pois apenas tomamos sangue de animais, não de humanos. O "Casseta e Planeta", num de seus raros momentos de inspiração, deu uma resposta hilária ao paradoxo, ao colocar um arremedo de vampiro vegetariano se lambuzando com uma beterraba...
A aproximação entre as historinhas de Meyers e o melodrama não para por aí. O vampiro "vegetariano" brilha ao sol - a mocinha solta suspiros de emoção em "Crepúsculo" ("Twilight", 2008) ao vê-lo "ao natural" - retomando aquilo que fala Thomasseau sobre os traços característicos dos personagens melodramáticos extrapolarem o interior dos mesmos para se instalarem no seu exterior. É verdade que Edward é um vampiro - característica eminentemente negativa, como vimos no post passado - mas ele é bom, íntegro e incrivelmente belo (sua beleza até resplende...). Não bastasse isso, ele fala para a sua Bella as coisas mais doces (mais que doces, açucaradas, melosas) que um homem jamais falaria para uma mulher: "Você é minha vida agora"; "Se eu pudesse sonhar, sonharia contigo"; "Cuide de meu coração, eu o deixei contigo"; "Durma, minha Bella. Sempre serei seu. Durma, meu único amor.'". Desculpem-me os românticos de plantão, mas, credo... Não consigo ouvir essas frases sem rir. Aliás, ao ouvir o vampirinho chamando a moça de "My only love", invariavelmente me lembro do pasteleiro Beiçola da "Grande Família" chamando Nenê de "My true love." e aí sim é que me divirto - porque, para mim, essas frases pseudo-românticas só funcionam hoje na comédia.
Mas não é bem isso o que acontece. O Edward da versão cinematográfica de "Lua Nova" é um dos personagens mais frágeis dos últimos tempos. Ele fala exclusivamente frases feitas, é um livrinho de poesia barata ambulante, semelhante àqueles que nossas mães mantinham quando tinham 15 anos. Porém, o mais irônico é que ele faz o maior sucesso não apenas entre as mocinhas de 15 anos - idade de nossas mamães quando copiavam as tais poesias dos caderninhos das amigas - mas também entre as mulheres feitas. A proposta de casamento de Edward a Bella, cena que fecha o filme, foi acompanhada por um suspiro geral das crianças, moças e mulheres crescidas que lotavam a sala - os únicos que não a acompanharam foram eu, meu pai e o homem responsável por um grupo de garotas... Meu lado feminista se revolta, mas não tanto que me impeça de refletir sobre a reação exaltada. A primeira e mais clara conclusão diz respeito ao poder que a imagem tem de conquistar o público. A segunda, e não tão clara é que, em detrimento da evolução nos meios de comunicação, da liberação sexual e da conquista da igualdade (ao menos teórica) entre homens e mulheres, o sexo feminino continua se afirmando como o tolo, o piegas e o frágil. Enfin...


Filme que faz uma bela leitura sobre o interesse que os filmes (especialmente melodramas) despertam no público é o "Cinema Paradiso" (Nuovo Cinema Paradiso, 1988), que tive o prazer de rever antes de assumir aquela overdose de trabalho sobre a qual me referi. Giuseppe Tornatore faz uma escolha de mestre ao tomar uma cidadezinha italiana como palco de sua história. Desde os primeiros tempos do cinema, os críticos se referem ao potencial de fuga da realidade que tinham as imagens em movimento - fuga buscada especialmente pela população que vivia em situação financeira precária. A cidadezinha saída da imaginação do cineasta é igual a tantas outras dos anos 40 em que a vida social girava em torno da religião e do cinema - e, ironicamente, ambos os eventos ocorriam no mesmo lugar, na igrejinha da cidade, sob os olhos severos do padre que censurava os ósculos cinematográficos.
O evento que se sobressai é indubitavelmente o cinema. Não era atoa que o coroinha se esgueirava pela igreja desejoso de acompanhar o trabalho de censura do padre para pôr os olhos nos beijos proibidos. Ou que o público frequentador do cinema torcesse para os mocinhos, vaiasse os vilões e aplaudisse a vitória do bem sobre o mal ao fim das películas, suspirando quando os rostos dos casais apaixonados enchiam as telas. Muitas daquelas cenas que acompanhamos junto com a cidadezinha absorta são exemplos do melodrama: o casal que sofre até o último momento para só aí atingir a felicidade, o herói que consegue subjulgar o vilão ao final. Até mesmo o romance que o garotinho - agora o jovem projetista do "Nuovo Cinema Paradiso" - vive com a mocinha rica são tributários do gênero.

Porém, quanta diferença entre "Cinema Paradiso" e "Lua Nova"...
O filme de Tornatore é, do começo ao fim, uma linda ode a cinema e, porque não dizer, ao cinema melodramático - gênero que mais seduziu platéias ao longo dos tempos. Ele até mesmo acaba na tradicional cena de beijo, na qual se multiplicam os inúmeros ósculos outrora censurados pelo padre e agora editados pelo velho projetista como presente ao rapazinho que cresceu amando o cinema. No entanto, Tornatore tem um jeito todo especial para tratar os lugares comuns, tantas vezes diluindo-os no humor e mergulhando-os na mais bela trilha sonora que já ouvi. Enquanto isso, "Lua Nova" resvala na pieguice dos personagens artificiais desempenhados por "artistas" não menos artificiais - que pena da personagem da mocinha que deseja desesperadamente ser mordida pelo vampiro, a qual é desempenhada por uma atriz tão inexpressiva que parece estar mais morta que o personagem do herói.
Sim, concordo que é maldade levar um filme como "Lua Nova" tão a sério. Mas, afinal, por que não, quando não fazemos nada mais que exercer o direito sagrado daqueles que pagaram o ingresso e que têm no peito algo mais substancial do que uma vermelhíssima maçã do amor?...


O vampiro vegetariano é homenageado pela SET de novembro:


20 comentários:

angela disse...

Grande reflexão sobre as diferenças do amor melado e idealizado e o amor vivido com suas dificuldades e contradições. O primeiro um amor morto e estagnado e o outro um amor vivo que alarga o coração, nos humaniza.
beijos

Danielle disse...

Você disse tudo, Ângela! Essa é uma diferença bem importante entre os dois filmes.

Obrigada por ler meus posts com tanto carinho!

Bjinhos
Dani

Dri Viaro disse...

ai sou apaixonada pelo Edward huahua
bjsss

Danielle disse...

Dri, ele é um espetáculo de bonito, mesmo! Pena que é um ator tão mais ou menos...

Bjocas

Psique66 disse...

Eu nao assisti Lua Nova, mas parece ser como Entrevista com Vampiro com Tom Cruise e Bradd Pitt, a beleza dos atores e o espetaculo do cenario,figurinos roubam a cena, para que interpretar, ja esta tudo tao perfeito :)
Os efeitos especiais dos filmes atuais andam roubando a cena de qualquer interpretaçao, vide o filme Matrix, o primeiro da trilogia tem uma mensagem de rebeldia e conscientizaçao, mas quem se importa, vamos ao cinema pra ver show, efeitos de comptaçao grafica. No filme a pilula azul vida normal e cerebro acefalo, pilula vermelha é realidade, é criticar a sociedade vigente e tentar mudar o caos da pseudo harmonia da sociedade.

Os filmes antigos e Cinema Paradiso nao tem os efeitos especiais, mas tem os atores mostrando como sua figura é importante e nos emocionam a cada frase e cada açao.

Interpretaçao hoje é so efeito especial infelizmente, os atores sao meros membros subservientes à maquina do intretenimento. Interpretar para que, pensa o galã, se minha beleza supri quaisquer carencia de emoçao.
Ja assistiu Resident Evil Generation, ou Final Fantasy Core??
Os atores sao feitos por computaçao grafica, adorei esses filmes, muito + do que com atores reais hahaha.

Psique66 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Psique66 disse...

Filmes antigos tambem tem seus efeitos especiais, Hitchcock e outros, no final de Rainha Christina dos anos 30, é super emocionante, a cena final gravada em estudio, John gilbert e Greta Garbo mostram o que é ser ator e atriz, e nao meros coadjuvante da paisagem. É sempre emocionante pra mim assistir essa cena final. Nessa cena da pra ver que Garbo nao tem so beleza, 'o rosto mais lindo que ja existiu', pelo livro do guinness, mas principalmente Talento por ser uma atriz. Ela tambem possui um Star Power infinito, nao tem como nao olhar e admirar sua beleza e esquecer o mundo no momento.

Nos anos 50 tinha filmes com efeitos especiais, mas eram classificados de Trash, mas hoje tudo mudou, ninguem quer ir ao Cinema pra ver Drama ou Romance, somente filmes com bastante efeitos, pra valer a pena o ingresso. Atualmente Cinema virou circo ou parque de diversoes.

Fico muito triste quando pessoas elogiam um filme por que ganhou o oscar de melhor figurino ou melhor efeito especial.
O pricipal no filme tem que ser sempre O ATOR ou A ATRIZ, por que a funçao deles vem desde 1909 em curtas mudo, sua mensagem na tela é de interpretaçao, questionamento, nos emocionar, nos fazer sorrir, odiar ou ama-los. Leva uma liçao de vida para o telespectador.

Será que agora, seculo XXI tem algum ator ou atriz com 'Star Power' como Greta Garbo, Bette Davis, Gary Cooper, Pola Negri, Chaplin, Rodolfo Valentino, Rita Hayworth, Clara Bow, Mae West, Judy Garland, Fred Astaire, Cary Grant, Joan Crawford, Lillian Gish??

Tertúlias... disse...

Querida, desta vez vou ter que conter minha opiniao pois nao estaria falando de um assunto que conheco. Este "Ne Moon" ainda nao assisti. Tenho que dizer também que, passando pela porta do cinema e vendo a fila imensa que ali se formava, tive que constatar que 99% do público nao pertencia a minha faixa etária... he he...
Agora, qual é este "sex-appeal" dos vampiros? Bela Lugosi, o primeiro Dracula, recebia mais cartas de amor do que Gary Cooper... Brad Pitt e Tom Cruise arrasaram os coracoes femininos (que nao quiseram entender o amor "homo" que os unia... ). Agora este novo ator(zinho?). Curioso para saber se ele é ator ou só bonitinho...

Quanto à Cinema Paradiso: Oh que obra prima, inspiradora, de uma poesia fora do normal...

Achei algum dos comentários muito interessantes: até surpreendente o fato de "Pola Negri" ser considerada com (como ela diz?) "Star Power" (nova expressao para mim mas entendo o que quer dizer... acho que é o mesmo que "Star quality").

Beijos, linda!
'Té a próxima (quanto ao "Ballet": adoro seus comentários pois nao sao influenciados por fatos como técnica, presenca cenica, físico apropriado etc. etc.

Danielle disse...

Queridos, adorei seus comentários!
Cris, entendo sua raiva por ver esses "artistas" sendo tão exaltados. Os espectadores de hoje estão ficando sem parâmetro de comparação pra julgarem a qualidade do que veem, por isso tem tanta gente achando maravilhoso o "New Moon" e tantos outros filminhos mais... O poder da mídia é tamanho. Sempre foi - não podemos negar que Greta Garbo ou Joan Crawford foram forjadas pelas mãos de Max Factor e companhia, e suas imagens foram divulgadas "ad nausean" por revistas e jornais comandados pelos estúdios. Mas, quanta diferença com relação a ela e os protagonistas do New Moon - pra não dizer de tantos outros atores e atrizes adolescentes que não valem muito. O cinema que domina o mercado hoje se concentra quase totalmente em produções descartáveis, com gente que é tão bonita quanto inapta...
Concordo com você que os artistas de computação gráfica são muito melhores, e aí é que está a ironia da coisa!
Eu não tenho nada contra as super-produções em 3D e cia - é fascinante como a gente é engolido para dentro do mundo ficcional. Mas cinema não pode ser resumido a isso, senão vai ser transformado em parque de diversão, mesmo!

Danielle disse...

Ricardo, me diverti com o seu comentário! Posso te dizer que pelo menos 80% do público enlouquecido que compunha a fila do cinema não tinha a minha idade (kkkk). Essa informação sobre Bela Lugosi é demais! Ele tinha o mesmo appeal da Theda Bara, né. Li que, na Primeira Guerra, ela foi eleita a musa dos soldados. Ao ir receber o prêmio, foi OVACIONADA com gritos de vamp, vamp, vamp! Essa reação do público frente a personagens do tipo merece ser levada em conta, mesmo! Ela é bem ambigua - por um lado o amor irremediável, por outro, o moralismo de querer que as vamps sejam punidas no final. A Cris é psicóloga, então eu vou passar essa bola pra ela! Cris, Freud explica isso?

Bjocas, pessoal e obrigada pelos comentários!

Psique66 disse...

A vamp ter uma carga erotica e sexual intensa, o homem deixa de ser o caçador para ser a caça, ela nao é um objeto sexual,
mas sim uma mulher e tem poder, por isso ela deve morrer pq ela é culpada por ser a representante pulsional de algo que o homem mais deseja, mas que nao pode mostrar para a sociedade machista, familia e que vai contra as normas religiosas e bla bla bla.

Assim nasce o conflito: o meu desejo pessoal e o desejo dos Outros sobre mim. O ser humano é um ser social, e ele precisa saber escolher o melhor pra ele, e esse desejo tem que ser compativel com o meu desejo, e o desejo do Outro, que sao: familia, amigos de escola, trabalho, religiao.

Eu li comentarios no youtube dizendo que ainda existem mulheres como Theda Bara no mundo atual. Sempre existirao vamps por que alguns homens desejam esse tipo de mulher, tao dominadora como sua mae, tao sexy quanto seu desejo.

Na epoca de Theda Bara e Pola Negri o homem tinha 2 visoes de mulher, aquela pra casar e outra pro prazer sexual, (ai que mora o perigo, por existe a mulher objeto sexual, e a vamp). O homem é elogiado pela sociedade por ser Don Juan, Casanova ou Ricardao (termo brasileiro), e assim arrassar coraçoes femininos por onde passa, por assim ele detem o poder sobre a caça, seu poder de macho.

Nos anos 70 que houve a revolucao sexual feminina, mas ainda hoje tem homens que pensam que vamp deve morrer. Seriam homens que nao sabem lidar com a complexidade da sexualidade feminina, nem Freud conseguiu explica :)

A vamp é considerada indiretamente culpada pela sociedade, por causa do poder de seduçao que é inerente a mulher, mas quem é o culpado?
é o homem que esta alienado do seu desejo, a figura feminina é ameaçadora, mas no inconsciente é esta mulher que ele deseja pra vida dele, Porem ele tem medo de perder o controle, (na sociedade é o homem quem deve mandar), por que essa vamp é tao dominadora e consciente do que ela deseja, que deixa o homem apavorado, será que consigo, realizar esta mulher??

As vamps atuais dos filmes Pecado Original (Angelina Jolie) e Basic Instinct (Sharon Stone) tem um final feliz, talvez porque o homem atual ja consiga unir a mulher que lhe da prazer + mulher para casar. É um homem que sabe o risco e o beneficio de sua escolha, tornando essa mulher mais humana, mostrando seu lado masculino fragil, sem se importar com normas de bons costumes e etc.
Ele sabe lidar com seu desejo (vontade e ambiçao), inseguranças, correndo riscos pra fazer a diferença. Isso que é revoluçao sexual masculina.

Psique66 disse...

Star Power foi um termo que aprendi com um cinefilo chamado Hugo na comunidade do orkut Greta Garbo. Ele é admirador da Rita Hayworth, Joan Crawford, Garbo, Dietrich e outras atrizes de talento. Ele é muito fofo, fala sobre filme classico que deixa qualquer um apaixonado.

O termo basicamente significa uma estrela com magnetismo, beleza, interpretaçao, sex- appel, personalidade. É quase um amor incondicional pelo artista.

Ja o artista bonito, gostoso e com sex appel deixam os fans no extase, seria algo parecido com paixao, um objeto de prazer. Do mesmo jeito que chega de repente pode desaparecer, quando for assistir outro filme com outro galã. Para chegar no nivel de um Star Power tem que batalhar muitoooo.

Danielle disse...

Cris, fenomenal a sua explicação! No passado havia a censura e o conservadorismo, que impediam a vampira hollywoodiana de ser “feliz para sempre”. Mas mesmo a punição sofrida pela personagem ao final do filme não impedia os homens de escreverem cartas de amor para ela e a desejarem. Há, mesmo, um movimento ambíguo de atração e repulsão - num só tempo desejam mulheres ativas e temem ser subjugados (deixar de tomar a iniciativa significaria não ser “macho”)...
Mas eu não sei até que ponto a revolução feminista mudou muito o quadro. As mulheres de hoje continuam desejando as mesmíssimas coisas que as avós delas desejavam: casar de branco na igreja, ter filhos... Reflexo disso é o tipo de comédia romântica que se faz hoje em Hollywood, nas quais a receita para uma vida perfeita continua sendo aquele molde de vida burguesa que os escritores modernistas já criticavam nos anos 20. O Mário de Andrade ironiza, na Klaxon, os finais apoteóticos dos filmes, que premiavam os casais com um filho ou a mocinha casadoira com um casamento. Vendo os lançamentos do ano (A proposta, Marido por acaso, por exemplo), notamos que pouco mudou... Infelizmente...

Danielle disse...

Ricardo, aquilo que você comentou sobre as mulheres ficaram loucas pelo Bella Lugosi é igualmente notável. Não seria isso um desejo pouco escondido pelo homem viril que literalmente devora a mulher? O homem violento que a subjuga - como um homem das cavernas?

Psique66 disse...

Nao esqueçam que existem varios tipos de mulher. Nem todas querem ser vamps, existe uma infinidade de mulheres pronta para o amor. A subjetividade da mulher permite essa multiplicidade de mulheres.

Me lembrei do filme Mulheres Perfeita com Glenn Close, será que os diretores desejam a volta da mulher romantica e apaixonada. Ela ainda existe, mas muita coisa mudou, dos filmes classicos ate sec. XXI.

Filmes de Vampiros.
Por que as mulheres gostam de vampiros?? Por que é o desejo de toda mocinha ser amada.
Em psicanalise diz que o vampiro é a mesma coisa que o namorado, e que supri todas espectativas da moça, o hipnotismo do vampiro é a paixao, o namoro. E a mordida seria o extase, simboliza o ato sexual. por isso que existe essa admiraçao por vampiros tirando Nosferatu, todos eles sao galantes e deslumbrantes. Tambem um vampiro lindo como do filme lua nova, qualquer garotinha fica louca. Deu pra sentir agora pq so as mais
jovens ficam babando por eles.

Filme de vampiro nao consegue atingir uma mulher adulta pq essa fase de descoberta da sexualidade ja passou. As vezes atinge mulheres + de 30, 40, 50, 60 anos, mas ai ja é outro assunto, pode ser frustraçoes nesta fase, desejo maternal erotizado, desejo de voltar a ser jovem e outras cositas mais.
Sexualidade feminina é muito complicadaaaa hehehe

Leandro disse...

Daniele! Você é mesmo real? Meu Deus (se existe algum)...
Muito bom o seu trabalho, quando puder visite-nos, seria uma honra:

http://soturnaprimavera.blogspot.com/

Abraços e até mais.

Danielle disse...

Uau, Leandro, obrigada pelo comentário! Que legal que você curtiu o blog - pelo jeito, você tem o mesmo ponto de vista que eu, rsrsrs. Com certeza vou visitá-lo!

Abss e até mais!
Dani

Edison Eduardo d:-) disse...

Daniiiii!!!! Não sabia que já tinha blogado o G-R-A-N-D-E Paradiso!!!! Simplesmente AMO esse filme! Preciso dormir e voltar aqui o qto antes para ler sobre ele.... Ai, amanhã tou frito!!!! Bjo. bjo. bjo!

Edison Eduardo d:-) disse...

Daniele, só vc mesmo pra enxergar o G-R-A-N-D-E "Cinema Paradiso" num filme comercialzinho como esse primeiro... Sobre o segundo, nem vou comentar, creio que tão cedo não verei (nunca direi jamais)!!! Junto com "O Império do Sol" do Spielberg o filme do Giuseppe Tornatore foram os únicos que me deram vontade louca de chorar de um minuto pra outro e em grande volume, ou seja, EMOÇÃO FORTE NA HORA CERTA!!!! Tamanha a surpresa de sentimentos... Lembro tb que esses dois foram os únicos filmes que vc ouvia um monte de gente (muitos) em volta se debulhar em lágrimas dentro do cinema... Choravam pra valer!!! Inesquecível! Eu AMO as cenas do pequeno projetista, principalmente as da escola passando cola pro Totó, e quando ele amadurece e fica esperando a amada aparecer na janela... O final é retumbante!!!! Lindo, lindo, lindo!

Danielle disse...

Oie, Edison!

Crepúsculo é bem ruim mesmo. A comparação foi uma brincadeira - quis pegar a onda da febre "Crepuscular"... Quanto ao Cinema Paradiso, esse é um dos clássicos que eu gostaria de ter visto no cinema. Tem coisa mais perspicaz do que aquela linda cena final? Quanto ao chororô, fiz parte do grupo que se debulhou em lágrimas com ele. Fiquei feliz por tê-lo visto pela primeira vez sozinha...

Bjs e até logo
Dani