domingo, 14 de março de 2010

Um corpo que cai (1958): o amor e a loucura segundo Hitchcock



Ontem revi o extraordinário "Vertigo", um dos grandes Hitchcocks, filme espantoso, que continua a impressionar depois de ser revisitado 10 vezes (eu que o diga...). Surpreende-me a sólida visão de conjunto que Hitchcock demonstra na maioria de seus filmes. Ele sabia o que queria, e raramente deixava de realizá-lo. Por isso, deixou-nos inúmeras obras-primas (desculpem-me o paradoxo), que têm a rara qualidade de interessar desde o espectador ingênuo até o mais exigente - coisa de mestre, que conhece a indústria do cinema tão perfeitamente ao ponto de saber que o valor artístico da película deve ser somado ao seu potencial mercadológico. "Vertigo"- que recebeu no Brasil o título de "Um corpo que cai" - é um dos meus preferidos.
Vemos nele um Hitchcock maduro, plenamente consciente de sua arte, que consegue levar a um alto grau de excelência elementos cinematográficos que ele ajudou a criar. A coerência do resultado final já se faz anunciar pelo título, que a horrível tradução brasileira escamoteou -Vertigo: medo de altura; vertigem; tonteira; sensação de desfalecimento; perda momentânea do auto-controle; desvario; loucura. Toda esta gama de significados é explorada em "Vertigo". A perseguição inicial do policial ao bandido, que leva a personagem de Jimmy a descobrir sua doença e culmina com a morte do policial que tentara salvá-lo e seu afastamento da Polícia é apenas o primeira deles.


À caça ao bandido - elemento recorrente nas histórias de suspense - se sucede o diálogo entre o então ex-policial John Ferguson e Midge Wood. A conversa é aparentemente frívola: o homem, enquanto vê a amiga desenhando roupas íntimas, não esboça mais que uma vaga preocupação com sua doença e quase nenhuma culpa pela morte do colega. Porém, o diálogo acaba por apresentar outros elementos de tensão. A câmera abandona o plano de conjunto em que focalizava Midge para tomá-la num primeiro plano no exato momento em que ela relembra ao amigo que fora sua noiva por "três semanas inteiras". John, testando sua saúde, sobe a escada que Midge lhe oferece e, olhando pela janela de vidro, percebe a altura que separa o apartamento do rés-do-chão, desfalecendo nos braços de Midge. Hitch faz aqui cinema puro - aquele em que o modo como imagens e sons se agrupam dizem mais sobre os personagens que o enredo. Sabemos que Midge é o elemento forte da relação, o que ampara, protege e ama o outro. John é sensível, frágil, por isso tende a fugir de compromissos e problemas. No entanto, a tonteira que derrubou-o da escada é prenúncio de vertigens mais avassaladoras.



Hitch apresenta em "Vertigo" um complexo triângulo amoroso que penso ser altamente tributário de Freud. Conheço pouco a teoria, portanto, não farei mais que indicar seus componentes mais flagrantes e o modo como eles se movem. Midge é uma jovem espirituosa e feminista mas, no fundo, tem uma amargura enorme por não ter se casado com John. Descobrimos que o impedimento ao casamento fora levantado por ela mesma, depois daquelas "três semanas inteiras de noivado". Por quê? Talvez devido à inversão de papéis da relação? A moça liberal, que se denomina a mãe do amigo - "Don't worry, John-O, mother is here", diz ela quando ele purga no manicômio a culpa pela morte de Madeleine -, queria na relação algo que ela nunca poderia ser - sim, porque ela era a castradora, não estava em sua personalidade ser o elemento passivo. John, débil e infantil, queria se ver livre da mãe-amiga, mas era demasiadamente frágil para tomar qualquer atitude - ora, é a moça que o deixa. Caberia à frágil e dependente Madeleine o papel de salvadora deste homem passivo? Caberia a ela devolver ao homem castrado a sua masculinidade? Cada vez mais me parece que sim. Todavia, embora John se transforme em homem para amparar Madeleine, ele continua detentor daquela personalidade sensível e romântica que, na tradição ocidental, cabe às mulheres. O romantismo exacerbado transforma-se num amor passional que, na segunda metade do filme, dará lugar aos excessos do homem apaixonado. Depois de morta Madeleine, ele tentará ressucitá-la na pele da sexy Judy, que parecia assemelhar-se à morta apenas na aparência - e, ainda assim, assemelhar-se vagamente. As cenas finais, em que John muda o guarda-roupa e os cabelos da mocinha banal até transformá-la na misteriosa e intangível Madeleine, parecem também simbolizar sua passagem de criança passiva a homem empreendedor - já que, até então, ele se mantinha quase que exclusivamente como o voyeur da situação. Aqui já não resta mais nada do homem pacato do princípio da história.

O desejo louco, a vertigem do amor - e aí cabem bem aquelas outras definições de "vertigo" - fazem com que ele some o que de mais intenso há nos dois sexos no que se refere ao relacionamento amoroso (estou tentando aqui pensar nas diferenças que havia nos anos 50) até simbolicamente matar Judy para novamente dar vida a Madeleine e, por fim, contribuir para que Judy/Madeleine literalmente morram. John, agora plenamente masculino e assertivo, quer legislar sobre a vida e a morte da identidade social de Judy. Mas já o pai de Héracles da tragédia homônima dizia que a moderação era necessária sobretudo àquele que tinha poder. Héracles não deu ouvidos ao pai e enlouqueceu. John é igualmente punido por desdenhar da voz da tradição.
A entrevista de Hitchcock a Truffaut - entrevista cuja versão definitiva a Companhia das Letras publicou por aqui faz alguns anos - dá a ver de modo fascinante a personalidade artística daquele que conduziu com pulso firme o enredo de "Vertigo" e de tantos outros clássicos.
Ao falar sobre o relacionamento amoroso tecido neste filme, um Hitch sem papas na língua alude ao que ele chama de "sexo psicológico": "é (...) a vontade que anima este homem de recriar uma imagem sexual impossível; para dizer as coisas simplesmente, esse homem quer se deitar com uma falecida, é pura necrofilia.". O diretor ainda aprofunda a explicação, motivando uma das poucas surpresas que Truffaut explicita ao longo da entrevista que faz com o diretor: "Todos os esforços de James Stewart para recriar a mulher são mostrados, cinematograficamente, como se ele procurasse despi-la em vez de vesti-la. E a cena que eu sentia mais profundamente era quanto a moça voltavam depois de ter tingido de louro o cabelo. James Stewart não fica totalmente satisfeito, porque ela não prendeu os cabelos num coque. O que isso significa? Significa que ela está quase nua diante dele mas ainda se nega a tirar a calcinha.".

As linhas deixam perceptível que a sexualidade não era algo tranquilo para Hitchcock. Aliás, a trivia hollywoodiana já apresenta inúmeros exemplos relacionados ao assunto: que Hitch teria se deitado com a esposa apenas uma vez; que ele havia se gabado por ter sido seduzido por Ingrid Bergman e se deitado com ela, etc. O diretor era um feixe de medos e complexos que daria trabalho a algum discípulo de Freud se ele resolvesse tentar se livrar deles. Não sei se ele chegou a frequentar um psicanalista. Felizmente, ele nunca deixou de ser perseguido por esses fantasmas que tomaram forma, de modo mais ou menos bem acabado, em toda a sua obra.
Hitchcock é pródigo ao dar à sociedade moderna uma visão complexa de seu psiquismo. Ele entra nos lares burgueses e mostra os anseios e as taras que subjazem ao exterior aparentemente são e pacífico. O relacionamento homem-mulher que culminava no casamento e na felicidade eterna - receita pregada no grosso dos filmes do período - era muito mais complexo do que parecia. Herança de Freud e tantos outros intelectuais que flagraram e explicaram a desfragmentação dos elementos que sustentavam o modo de vida ocidental - a igreja, o paternalismo, a ciência positivista -, Hitchcock mostrava que o homem podia não mais ser o indivíduo rijo responsável pelo sexo oposto. O diretor inglês é um dos indivíduos que mais bem compreendeu a sensibilidade moderna. Sua obra toda paga um tributo a ela.
"Vertigo" é seu mais arrematado exemplo e James Stewart, seu melhor porta-voz. A simplicidade e delicadeza com que James desempenha seus papéis me surpreende cada vez mais. Ele desempenhou um mesmo tipo durante décadas, porém, fê-los evoluir de acordo com as necessidades do diretor. Ele foi um dos primeiros stars do sexo masculino que chorou em frente das câmeras - numa época machista como os anos 30, bem se pode imaginar como isso não taxava negativamente os artistas. Os personagens que ele deu ao público nos anos 30 e 40 ajudaram a tornar verossímil não apenas John Fergusson mas todo o "Vertigo", que conhecemos em grande parte por seu próprio ponto de vista.
Vejamos as cenas em que ele conhece Madeleine e, a pedido de seu suposto esposo, passa a persegui-la. Vêmo-la primeiramente de costas (num plano de conjunto que toma todo o restaurante) e depois de perfil (num close-up). Ainda que se aproxime, ela continua a ser para John uma figura misteriosa - o que se deve em grande medida à imagem (mentirosa) que seu esposo pintou dela para John: ela estaria enlouquecendo, possuída pelo espírito da bisavó morta por amor. Uma imagem romântica...

O mistério que emana da mulher é, ironicamente, maior do que se supõe a princípio. Madeleine não é apenas uma mulher fugidia, ela é uma mulher que não existe (para perceber isso logo do princípio, o espectador precisa ver o filme uma segunda vez). É personagem ficcional, saída da imaginação de um homem calculista que, para matar a esposa, precisa de uma cúmplice (Judy/Madeleine) e de um bode espiatório (John). Ela é literatura (ou então, cinema). O modo como o homem apaixonado a vê em grande medida recupera-a como objeto de arte. Ela às vezes se assemelha às estátuas gregas (como no fotograma acima). Às vezes, a um quadro (como na fascinante cena da floricultura, em que o ambiente cinza ao redor de Jimmy só faz intensificar a explosão de cores em que a moça está mergulhada, emoldurando-a).



Depois de enquadrada, John vê Madeleine observar o quadro de sua ascendente. A linha que divide realidade e ficção parece desaparecer.


Hitchcock dá a ver o artífice competente que é, criando em "Vertigo" leitmotivs que perpassam todo o filme. O modo como Madeleine observa sua bisavó é semelhante ao modo como John Ferguson observa Madeleine - e é o ramalhete de rosas que levará John casualmente a encontrar Judy.
Madeleine olha o quadro; John a olha; nós os olhamos. Para esse voyerismo multiplicado há a excelente expressão francesa mise en abyme, (mal) traduzida entre nós por metalinguagem, e que literalmente significa “posto no abismo”, aquele efeito obtido por dois espelhos: quando uma imagem contém uma cópia menor dela, e assim sucessivamente. Ao fim e ao cabo, o público é tão ludibriado quando o protagonista pela cena que se oferece diante de si como espetáculo. Esta imagem que o filme constrói é, aliás, oriunda do mesmo campo semântico do redemoinho que se insinua primeiro nos créditos, repetindo-se no decorrer da obra no intuito de glosar a sensação de entontecimento, de falta de chão, de desvario do protagonista. (Este parágrafo só nasceu hoje, 29 jan. 2014, depois de dois meses de minha revisita ao filme, desta vez na telona do paulistano Espaço Unibanco-Augusta...). 

O tom esverdeado que circunda Madeleine quando ela caminha pelo cemitério repete-se nas luzes artificiais que envolvem Judy - tornada Madeleine -, no quarto barato de hotel. Hitchcock fala sobre esses dois usos do verde na entrevista a Truffaut, mas nada diz sobre a abundância de verdes que envolve a personagem de Kim Novac (o carro de Madeleine, o vestido de noite que ela usa quando John a vê pela primeira vez, o gramado em frente ao museu, a saia de Judy). O elemento verde é reiterado ad nauseam ao longo de "Vertigo", inebriando o ex-policial ao ponto de levar a mente até certo ponto cartesiana que cabe aos indivíduos de sua profissão a acreditar na história suspeita contada pelo amigo. Sem falar no leitmotif musical criado por Bernard Hermann, já que os violinos glosam, no plano sonoro, a paixão crescente de John por Madeleine.
"Vertigo" é uma obra de ficção que, enquanto explicita a filosofia de Hitchcock - alguns filmes são fatias de vida; os meus são fatias de bolo - trás à baila questões pungentes da sociedade contemporânea. Vemos desfilar um belo concerto criado pelos olhos apaixonados de John, mas também conhecemos o poder terrível que pode ter a ficção. Monroe (do O último Magnata, de Scott Fitzgerald), que amadureceu no mundo do cinema e ajudou a delinear as fronteiras do medium, descreve a aparição de Kathleen de modo muito semelhante ao que faz o John Fergusson criado por Hitchcock - e ambos acabam por perder a única mulher que poderia salvá-los, mulher que eles mesmos criaram. Porém, as respostas não são simples, se pensarmos que, com a crise da religião, a arte aparecia como o único elemento capaz de dar sentido à vivência cotidiana.

29 comentários:

Camila Henriques disse...

Assisti Vertigo há algumas semanas atrás (cortesia da Lorena, que me emprestou o DVD - que eu dei de aniversário pra ela ano passado, hahaha) e é, de fato, uma obra-prima. Dos filmes de Hitchcock que vi, está empatado com Rear Window.
Ah, estava vendo que você é mestre em Teoria da Literatura. Fiz faculdade de Letras e sou apaixonada por essa disciplina. Ajudava muito o fato de minha professora ser apaixonaaaada por cinema.
E quanto à Liza, jurava que ela era mais velha! Sou apaixonada por Judy, mas ainda não me aventurei a fundo na filmografia de sua filha.

angela disse...

Adoro Hithcock e vi este filme uma vez e meia (coisas de TV) Gostei muito de sua analise.
Boa semana
beijos

Tertúlias... disse...

Um dos meus preferidos de todos os tempos... uma jóia muito preciosa de "sétima arte" - já parastes para pensar em como este filme é baseado no "As you desire me" de Garbo com Melvyn Douglas e Erich von Stroheim (que era por sua vez baseado na peca homonima de Pirandello)? Vale a pena rever este... A direcao de Hotch está, ao meu ver, impecável. A presenca de Stewart e a beleza de Novak incomparáveis. O cast secundário (Bel Geddes) maravilhoso... e a música... a música...
Vou reassistí-lo brevemente!

Danielle disse...

Queridos, obrigada pela visita!

Camila, sabe que tive contato com Vertigo pela primeira vez de um modo muito semelhante?! Eu tinha uns 16, e resolvemos, eu e uma amiga, presentear uma amiga nossa com esse filme. Não lembro bem por que motivo justamente este filme. O fato é que, como duas boas estudantes duras, alugamos o VHS (na época não existia DVD), copiamos o filme e xerocamos a capinha (as cópias em VHS custavam um preço absurdo)... Vimos o filme e gostamos muito e ela curtiu muito o presente.
Esse foi um dos primeiros Hitchs que acabei comprando, há uns 4 anos. Só me lembrava daquele flashback do assassinato sob o ponto de vista de Judy. Hitchcock diz que a cena instaura uma modificação considerável no enredo do livro, uma vez que no livro os leitores descobrem que Madeleine e Judy são a mesma pessoa apenas quando John se dá conta do fato.

Sobre minha formação, fiz Letras (é um curso fascinante, né?), mas foquei o mestrado em TL, mais especialmente em teatro do final do século XIX - pesquisei jornais da época, li uma porção de peças antigas e, de certa forma, acabei me empolgando em pesquisar cinema por encontrar tanta referência a ele pelos escritores do período (imagina, em 1897-8, ainda na época do cinematógrafo e das fitas em 1 minuto, das primeiras fitas coloridas...). Por outro lado, sou apaixonada por filmes antigos faz um bom tempo, então, juntei a fome com a vontade de comer!

Danielle disse...

Ângela, hehe, esses filmes antigos ficam tão engraçados quando são dublados pra TV! Fiz a tentativa de ver a Dama das Camélias, com Garbo e Robert Taylor, e ri tanto que precisei parar - a dublagem precária dos anos 50 destruiu o que de dramático havia na história e ela virou outra coisa! Fico contente que tenha gostado da minha leitura. Esse filme sempre me deixa muito perplexa, com mais perguntas que respostas...
Ricardo, este filme também é um dos meus "mais" de todos os tempos. Não tenho uma lista fechada dos meus 10 preferidos, 50 preferidos, etc, mas este é um daqueles que eu simplesmente preciso rever de tempos em tempos. Gosto muito da Kim Novac nele! Quase nem falei dela, né? É que a acho mais linda que boa atriz. Porém, aqui ela está sensacional. Eu adoro o Hitchcock - acho que o desempenho impecável dela de deve muitíssimo a ele - sem contar o restante do elenco. Sabe que a Kim Novac, aos 74, ainda está bem bonita?!

Bjocas!

Danielle disse...

Ricardo, esqueci de responder a sua pergunta!!
Vi "As you desire me" e gostei muito. Greta e Melvyn Douglas têm uma química muito boa e Stroheim está um vilão formidável - forte, egoísta e bem pouco melodramático. Pena que o filme é muito curto - tem muitos elementos que ele poderia desenvolver melhor.
A dúvida sobre a identidade da mulher parece ser sanada no final do filme, o que dá um alívio e torna possível o happy end do casal. Adoro Vertigo porque nele não há possibilidade de saída - no final, o homem sabe que ama irremediavelmente uma mulher que não existe. Kim Novac está incrível no filme porque, mesmo depois de transformada novamente em Madeleine, ela continua a agir como Judy - John, ao beijá-la no final, sabia que apenas poderia ter um simulacro dela...
Quero muito ler essa peça de Pirandello, mas nunca deu certo. Quero saber como o filme a toma!

Bjinhos
Dani

Lorena F. Pimentel disse...

Assisti Vertigo há mais ou menos um ano atrás, e ainda lembro a fascinação que desenvolvi, a partir dai, pelos filmes de Hitchcock. Ele desenvolve o aspecto visual de suas películas com muita maestria.

Adorei sua análise. Acabou instigando a vontade de re-assistir ao filme. Assim que o fizer, re-leio a postagem.

Bjs!

Danielle disse...

Oi, Lorena! Acho que você começou pelo filme certo do Hitchcock. Este é um dos pontos culminantes do que ele desenvolveu por anos.
Outra coisa que não falei no post - tem tanta pra falar, né? - é sobre aquela longa sequência "silenciosa" (se não contarmos a trilha sonora) em que John persegue Madeleine pela primeira vez. Hitch dizia que o cinema mudo tinha levado à excelência uma linguagem visual (cinematográfica) que o falado acabou deixando de lado. Aqui ele demonstra claramente do que estava falando!
Veja o filme de novo, mesmo! É uma experiência e tanto.

Bjocas

Tertúlias... disse...

Uma mensagem para Danielle e Lorena que nao tem o que haver com esta postagem: Anotem please as datas de tres postagens que já fiz há muito tempo e que acho que interessariam muito a voces (principalmente as fotos):

17.12.2008, 2.12.2008 e principalmente 9.8.2008
beijos!

angela disse...

Tem um selinho para você em meu blog http://carinhos-entremeios.blogspot.com/
Sei que estou em falta com você, mas logo estarei em dia.
beijos

Tertúlias... disse...

Minha querida, acabei de ver a postagem de Lorena sobre "Waterloo Bridge"... este DVD já foi lancado... tenho já há alguns anos (comprei na Amazon)! Aqui duas postagens (muito) relacionadas que interessarao muito a voces, principalmente a primeira!
Adoraria saber "vossa" opiniao, minhas princesas cinéfilas!
As postagens sao de
26.02.2009 e 02.03.2009

Danilo Ator disse...

Se eu fizesse uma lista do meus dez filmes favoritos, Vertigo estaria entre eles. Belo post, à altura do filme. Hitchcock, em sua genialiadade, encheu o filme de tantos detalhes e complexidades que é um prazer revê-lo sempre, descobrindo aqui e alí algo novo, uma nuança que nos tinha escapado. Filme perfeito.

Luciana disse...

Olá
Achei teu blog e gostei muito sou apaixonada por filmes e meu layout é de filmes não escrevo sobre filme mas coloco alguns filmes que eu vejo como indicação, parabéns pelo blog.
Bjs
Luciana

Danielle disse...

Danilo, Luciana, as mensagens de vocês me deixaram muito feliz! Obrigada por lerem com tanto carinho o que eu escrevo.
Amo esse filme tão instigante - que motiva a análise e, ao mesmo tempo, deixa claro que não pode ser esgotado por ela.
Luciana, vou visitar o seu blog! Vou adorar bater papo contigo sobre cinema!

Bjinhos e bom final de semana
Dani

Danielle disse...

Ângela, eu ganhei um prêmio! Muito obrigada, você é demais!

Bjocas

renato disse...

Esse filme eu assisti ontem, na cinameteca de São Paulo, um privilégio!

Identifiquei signos que que formam o corpo do filme, procuro sempre, como um cinema-novista-glauberiano, desvendar a IDEOLOGIA que afirma a obra.

Nesse caso, mesmo com toda trama psicologica, o filme afirma a ideologia do homem perverso que conquista seus objetivos via métodos escusos, como é o caso da personagem que conduz os protagonistas ao engano. Essa é a base histórica de toda perseverança da aristocracia. Esse seria o homem forte, o que persevera frente a existencia, o que segue suas paixões sem qualquer tipo de escrupulo. Por outro lado, vemos um homem de principios genuinamente burgueses e cristãos, incapaz de negar um favor à um amigo e de se esquivar do sentimento de culpa. Madeleine segue na mesma trilha, visto que não abandona a culpa que sua atuação remunerada lhe causou e, ao final, acaba se suicidando. Esses, os protagonistas, representam o homem fraco, o homem que padece, que não domina suas paixões e que se deixa afetar pela maior sequela que a igreja católica herdou ao homem:
o sentimento de culpa.
O filme é bem realista, pois apesar de toda trama do enredo, segura firme essa crítica subliminar ao homem moderno e deixa bem clara a dicotomia Forte-Fraco, Cristão - Não-Cristão.
A cena do protagonista fugindo após o crime é bem sugestiva, uma visão panoramica da Igreja que mostra dois lados:
de um, o corpo morto, sendo acolhido pelo padre e pelas freiras, do outro, um homem fugindo perplexamente da cena de um crime; no meio a Cruz. Seria essa separção proposital por nosso hitchcock?
Bem, o fato é que o filme se encerra com Madeleine se suicidando, não suportando seu sentimento de culpa. Onde ocorre a última cena?
Seria o homem se libertando das badaladas seculares da Igreja Católica?

Digam o que disserem, não bastando o suspense que percorre todo o filme, Hitchcock finaliza essa obra com mais um enorme suspense;
Ou, melhor me expressando, vertigem

renato disse...

Esse filme eu assisti ontem, na cinameteca de São Paulo, um privilégio!

Identifiquei signos que que formam o corpo do filme, procuro sempre, como um cinema-novista-glauberiano, desvendar a IDEOLOGIA que afirma a obra.

Nesse caso, mesmo com toda trama psicologica, o filme afirma a ideologia do homem perverso que conquista seus objetivos via métodos escusos, como é o caso da personagem que conduz os protagonistas ao engano. Essa é a base histórica de toda perseverança da aristocracia. Esse seria o homem forte, o que persevera frente a existencia, o que segue suas paixões sem qualquer tipo de escrupulo. Por outro lado, vemos um homem de principios genuinamente burgueses e cristãos, incapaz de negar um favor à um amigo e de se esquivar do sentimento de culpa. Madeleine segue na mesma trilha, visto que não abandona a culpa que sua atuação remunerada lhe causou e, ao final, acaba se suicidando. Esses, os protagonistas, representam o homem fraco, o homem que padece, que não domina suas paixões e que se deixa afetar pela maior sequela que a igreja católica herdou ao homem:
o sentimento de culpa.
O filme é bem realista, pois apesar de toda trama do enredo, segura firme essa crítica subliminar ao homem moderno e deixa bem clara a dicotomia Forte-Fraco, Cristão - Não-Cristão.
A cena do protagonista fugindo após o crime é bem sugestiva, uma visão panoramica da Igreja que mostra dois lados:
de um, o corpo morto, sendo acolhido pelo padre e pelas freiras, do outro, um homem fugindo perplexamente da cena de um crime; no meio a Cruz. Seria essa separção proposital por nosso hitchcock?
Bem, o fato é que o filme se encerra com Madeleine se suicidando, não suportando seu sentimento de culpa. Onde ocorre a última cena?
Seria o homem se libertando das badaladas seculares da Igreja Católica?

Digam o que disserem, não bastando o suspense que percorre todo o filme, Hitchcock finaliza essa obra com mais um enorme suspense;
Ou, melhor me expressando, vertigem

Danielle disse...

Oi, Renato.

Gostei muito da sua intervenção! Primeiro, concordo que você foi realmente privilegiado por ver esse filme na tela grande. Infelizmente nunca tive a chance de ver nenhum clássico no cinema...

Nunca pensei numa costura do filme pelo viés da religião católica, mas acho que você tem razão de várias coisas que aponta. Por exemplo, você mostrou como pode ser simbólica a cena do campanário, depois do assassinato de Madeleine, coisa que concordo plenamente e que não tinha percebido antes.

O fascinante em Hitchcock é o modo como ele põe em debate a tradição num veículo de comunicação em massa. A sexualidade e a religião, duas coisas que apontamos, alicerçam a sociedade. Naquele momento, com a vulgarização da psicanálise e o aumento cada vez maior dos divórcios, por exemplo, essas questões emergem com força.

Também concordo que é digno de nota o fato de o diretor acabar o filme na morte da falsa Madeleine - especialmente considerando que a grande maioria dos filmes de Hitch acabam em finais felizes. Não sei se eu diria que ela se suicida, mas talvez que ela é punida (a presença da freira no campanário seria a presença simbólica da igreja punindo a moça?) pela mesma religião da qual Judy tripudiou quando foi conivente com um assassinato que se deu na igreja.

Vertigo é um grande filme, que pode ser lido por vários ângulos.

Volte mais vezes aqui, Renato, para dar sua opinião sobre mais filmes! Gostei muito, mesmo, de seu comentário!

Abraços e até logo.
Dani

Francisco disse...

EU AINDA NÃO ASSISTI A ESSE FILME, MAS CONHEÇO A SUA HISTÓRIA E A SUA FAMA. ..
GOSTARIA DE ASSITIR...

Anônimo disse...

Dani:

Temos uma grande afinidade mesmo. Topei com uma chamada pro teu texto sobre VERTIGO e não resisto a te mandar o que escrevi sobre este filme.
Que eu vi já umas cinquenta vezes!
E sempre que o revejo, fico desesperado por salvar Kim Novak -Madeleine-Judy (uma de minhas paixões absolutas é a primeira cena, em que ela aparece montada por Elster, desfilando pra ele no Ernie´s).É como se eu quisesse refazer a história, impedindo aquela freira que aparece para dizer "I heard voices" e faz soar aquele sino fatídico. Eu estaria lá embaixo, num dos degraus da escada, e daria um trança-pé nela. Não quero que Kim Novak morra! Sou absolutamente fascinado pelo personagem dela. Sou John Ferguson. Sou todo homem que amou uma mulher que não pôde ser sua, fosse por perdê-la pra outro, fosse por ela morrer, fosse pelo que fosse...A universalidade de VERTIGO é chapante.
Bem, com isso, escrevi um texto ultra-passional sobre o filme, mas recontando-o, como se fosse de algum modo necessário transmiti-lo passo a passo pro leitor. Partilhando com este a qualidade alucinatória da coisa.
E é sobre Hitchcock, aliás, que tenho o maior número de textos publicados. Além de "A questão da queda no mais romântico e pessimista dos filmes", mando o ensaio mais longo que já escrevi sobre o Mestre, publicado em Belo Horizonte, no site Germina. Esse ensaio saiu também numa revista de cultura alternativa de São Paulo, a "Nanico", há muito tempo atrás.
Eu te disse que corria o risco de te enviar coisas demais. Mas é que muito bom encontrar uma alma afim, realmente!

Abraços

Chico Lopes

http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=980

http://www.germinaliteratura.com.br/letraeimagem2_dez07.htm

Edison Eduardo d:-) disse...

Adorei a resenha!!!! Preciso URGENTE assistir a este filme, tb se não fosse vc, eu perderia!!! Furou a fila de vários tb indicados aqui por vc... Aquele bjo!

Edison Eduardo d:-) disse...

Adorei a resenha!!!! Preciso URGENTE assistir a este filme, tb se não fosse vc, eu perderia!!! Furou a fila de vários tb indicados aqui por vc... Aquele bjo!

Faroeste disse...

Vertigo (Um Corpo Que Cai) é um bom filme, no entanto, no meu parecer, não é a melhor coisa feita pelo gordo Hitckcoch. Acho Intriga Internacional e Psicose acima deste, embora Vertigo seja um filme feito e cercado de muitos aparatos, como; cuidado excessivo com fotografia, com cor, com musica, com letreiro, com desenrolar da trama, com interpretações e com um jogo de situações propicia a envolver o espectador. Mas tem pouco conteudo, embora bem trabalhado.
jurandir_lima@bol.com.br

Danielle Crepaldi Carvalho disse...

Oi, Jurandir!

Sério? Pra mim é um dos filmes mais complexos dele, e sem dúvida o mais poético.

Bjs e obrigada por ler o texto!
Dani

Anônimo disse...

Dani, ótima Resenha, sensacional!! Então, ainda não conheço este filme preciso assistir!

Bjos

Renata Fernanda

Edison Eduardo d:-) disse...

Danielle....

"Vertigo" assistido ontem no telão do cinema...

É impressionante como Hitchcock consegue ligar tudo, nada sobra.

E qdo parece que a história acabou, tem a cereja final em cima do bolo!

ADOREI!

Danielle Crepaldi Carvalho disse...

Brilhantíssimo, não, Edison?
Adoro como a história se reescreve a partir da metade, quando o espectador revê o passado a partir dos olhos de Judy e então se dá conta de que se passou diante de si uma história inventada (dentro d'outra, o próprio Cinema, o que é ainda mais fascinante). Hitch persegue o tema no Janela Indiscreta.

Bjo. Bom tê-lo de volta
Dani

Edison Eduardo d:-) disse...

Voltarei mais vezes. Este ano (me prometi) estarei bem cinéfilo...

Depois vou ler a sua resenha do "Álbom de família"... Gostei muito do filme mas alguma coisa ali me deixou cismado, não sei direito o pq... Sempre achei a Julia Roberts meio insossa, talvez seja isso... E o brilhantismo do Ewan Mc Gregor? #sóquenão

VERTIGO é um sonho de consumo. Será que um dia escreverei um roteiro assim ou participarei de algum filme com uma articulação tão bem feita???

Bom, uma coisinha eu não captei bem o motivo: A (falsa) Madeleine vai pegar o buquê de flores e entra pelos fundo da loja. why?

Um bjo, Edison

PS: "Ninfomaníaca" do LVT (não por causa das cenas mas talvez pelo didatismo) não me desceu muito bem!

Danielle Crepaldi Carvalho disse...

Ah, Edison, esse é um filme num milhão, excelente sem ser pretensioso. O melhor a que assisti no cinema no ano passado...

Sobre essa cena que você comentou, tomo-a como chave para entender a mise-en-scène criada pelo diretor. A entrada da moça pela porta dos fundos da floricultura, por meio da viela apagada, só faz aumentar na personagem de James Stewart o fascínio que ele desenvolve com ela. Seguindo a ideia do mise en abyme, a surpresa da personagem é também a do público, sem contar que, no todo do filme, metaforiza a entrada do ator dos bastidores à cena, tanto no teatro quanto no set de cinema (sem contar a relação que a pintura estabelece com o ambiente). Très brillant!!É por essas e outras que eu amo o Hitchcock...